SALADA MORNA DE MINI POLVO E FEIJÃO FRADINHO
Para quem gosta de polvo, comer um prato feito com esta
beleza dos mares e dos oceanos é sempre uma festa. Infelizmente, o polvo é um
produto caro e o ponto de cozimento um mistério para muitas pessoas, pelo que a
maioria desiste de prepará-lo em casa.
A boa notícia é que tem como dar um jeito! Tem jeito, tanto
para o preço como para o medo do cozimento. A solução se chama mini polvos.
O mini polvo não é um polvo bebê (isto é outra coisa; se
consegue, se come, mas é o filhote de um polvo que teria crescido) [inserir
choro aqui] O mini polvo também não é lula (e na mera menção deste termo, metade
dos seguidores cancelaram a subscrição ao blog). O mini polvo, señores y señoras, é o adulto de uma variedade
pequena, simples assim.
Não confundir com o chipirón,
que é um “micro polvo”, só que é mais da linha da lula, também em estágio adulto, o qual não mede mais do que
uns 4-6 centímetros. O mini polvo vai de uns 15cm até uns 45cm, bem esticado.
Feitas as apresentações, vamos aos porquês desta combinação.
Eu acho o feijão fradinho bem mais adequado que o feijão
carioca ou o preto para saladas frias ou mornas. Pessoalmente, gosto dele e do
feijão manteiga (o branco; sei que existem algumas variedades dele, mas sei que
você me entende) para saladas. E o fradinho em particular eu acho untuoso o
bastante e fibroso o suficiente para este tipo de receita, além de suave, o que
não atrapalha nem “mata” o sabor delicado de alguns acompanhamentos.
O que precisa ter na bancada:
Frigideira (eu prefiro de ferro antiaderente para este tipo
de preparação)
Colher de pau
Cumbuquinha ou vasilha pequena (para o caldo)
Peneira (para escorrer o feijão)
Os ingredientes:
1 xícara de feijão fradinho cozido (eu deixo de molho 3-4
horas e depois troco a água e cozinho na pressão por uns 20 minutos)
3 mini polvos (se forem graúdos, que sejam 2)
1/2 cebola pequena picada
1/2 cenoura picada
1/4 de pimentão vermelho picado
1/4 de pimentão verde picado
Os temperos:
Caldo de peixe ou legumes (usei caldo de peixe em cubo)
Páprica doce (também conhecida como pimentón dulce)
Pimenta do reino ou mix de pimentas
1 folha de louro (facultativo)
Molho de pimenta suave (facultativo)
O acompanhamento:
Um belo de um arroz branco, soltinho, no ponto!
O preparo:
1. Dê uma lavada nos seus mini polvos. Deixe escorrer e
reserve.
DICA: Se comprar os
polvinhos na feira de rua da sua região, pede para o vendedor limpar os
coitados. Basicamente, é abrir a cabeça, esvaziar e tirar o “biquinho” que eles
têm. Não é difícil, mas eles fazem numa boa e você não precisa ficar
esquartejando os bichos.
2. Coloque umas 2 colheres de azeite na frigideira e a
frigideira em fogo médio até esquentar.
3. Acrescente os legumes picados e deixe começar a refogar.
DICA: Aqui é onde
corta os polvinhos. Não é picar, mas sim cortar em pedaços de mais ou menos 3cm
de comprimento (eles reduzem: se cortar em pedaços menores, eles não aparecerão
bem no prato terminado).
DICA: Se for utilizar louro, pode enfiar agora de deixar ele
em paz conversando com os legumes.
4. Uma vez que os legumes estiverem suados (percebe-se quando a cebola fica transparente), dê uma
mesclada e acrescente o polvo cortado. Salpique com a pimenta do reino, uma
colherzinha pequena de páprica, dê uma mesclada e vaze.
DICA: Sai daí mesmo;
vai lavar a tábua de corte e tudo que tiver tocado no polvo, pois depois fede.
DICA: Pode reduzir o
fogo um cadim após os primeiros 2-3 minutos.
5. Após uns 4-5 minutos, despeje o caldo de peixe ou legumes
(deve ser forte, tipo concentrado) ou um cubo de caldo previamente dissolvido
em meio copo de água fervente e misture. Deixe em paz, cozinhando e reduzindo.
DICA: Se o caldo for
em tablete, não precisará acrescentar sal. Se for caseiro, confira que ele
esteja concentradinho mesmo e salgadinho.
6. Após 2-3 minutos, acrescente o feijão, bem escorrido, e
misture. Abaixe o fogo. Deixe em paz.
DICA: A ideia é
deixar o caldo reduzir e os sabores penetrarem. Não é um ensopado, pelo que
precisa deixar reduzir até a maioria do caldo ter sumido.
7. Uma vez reduzido quase todo o caldo, desligue o fogo e deixe
na frigideira por um par de minutos. Aqui pode acrescentar umas gotinhas de
molho de pimenta suave, se quiser.
DICA: Não é para ser
um prato ardido; não exagere no picante.
8. Sirva do lado do arroz branco e aproveite!
DICA: Como a salada
tem feijão e é a estrela da refeição, pode servir meio a meio com o arroz, que
servirá de acompanhamento apenas, deixando o feijão e o polvo se sobressaírem.
Nota de harmonização:
Pois é... Sou argentino e gosto de vinhos com minhas refeições. Nem sempre, mas quando bebo tento acompanhar com um vinho que não destoe nem atrapalhe o sabor do prato, e também procuro evitar as combinações que deixam um sabor esquisito na boca (por isso é aconselhável pesquisar antes de tentar harmonizar frutos do mar com vinho tinto, por exemplo).
As variedades de vinho que eu indico para este prato, tanto pelo que falam os que sabem como pela minha experiência de amador, são a Pinot Grigio, de acidez marcada, porém leve; a Sauvignon Blanc (dizem que um coringa para frutos do mar); e, finalmente, a Viognier, bem menos conhecida, porém bem bacana.
Amo a Pinot Grigio (Pinot Gris). Aliás, descobri aqui no Brasil, embora tenha sempre consumido as da Argentina e as da Nova Zelândia. Também é a mais cara das três, pelo menos aqui no País de Dimensões Continentais e Taxas de Importação Pavorosas. [inserir choro de professor aqui]
A Sauvignon Blanc, realmente vai bem com tudo. Eu gosto dela mais gelada que a Pinot Grigio. É a que mais bebo destas três, pois a oferta é farta aqui e os preços começam a partir de bem razoáveis.
A Viognier é uma variedade que eu conheço pouco, mas, pelo que provei, já indico. Tem uma da vinícola Nieto Senetiner (Mendoza, Argentina) que vem junto com a Chardonnay na linha La Emilia, que gostei bastante. Geralmente se consegue nos supermercados com nome de morro famoso. Fácil de beber e refrescante.
Vou ver o que tenho agora em casa para colocar umas imagens como referência...
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| Este é italiano, DOC... Avanti! |
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| Finérrimo! Ganhei de um querido ex aluno. |








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